Sexualidade trans na interface com as relações de gênero

Por Maria Alves de Toledo Bruns*

Nos últimos 60 anos, o avanço das ciências, o processo de urbanização dos centros industrializados, o avanço da mídia, os novos arranjos familiares, as conquista das minorias sexuais: homossexuais, transexuais, travestis, entre outros fenômenos, somados à ênfase no individualismo, e na visibilidade midiática, flexibilizaram o ethos da relação de gênero de tal modo a inscrever outros olhares à hegemonia da heteronormatividade, cujas ressonâncias fazem presente nas e pelas trocas simbólicas com o outro, por meio das quais o sujeito contemporâneo constitui seu processo de subjetivação.

Dessa perspectiva a temporalidade, a historicidade e espacialidade do lebenswelt/mundo vida do sujeito contemporâneo vem se transformando independente da orientação afetivo sexual ser hetero, homo, trans entre outras de modo nunca visto. Em especial ao estilo de como os relacionamentos afetivo sexuais estão sendo vividos. Se por um lado o sujeito cultiva o desejo da confiança e da possibilidade de vincular-se a um relacionamento estável, por outro lado, o sujeito expressa desconfiança, temor e medo da possibilidade de vincular-se.

Dessa perspectiva ambígua os vínculos amorosos duradouros são percebidos pelas parcerias como forma de controle e opressão por não atender ao lebenswelt descompromissado próprio de “relações líquidas”, as quais seguem o padrão da lógica consumista, que valoriza a novidade, a variedade, a rapidez, enfim, a rotatividade. O ímpeto contemporâneo é “ser transitório”, render-se ao impulso e não ao desejo. O impulso não ameaça, não impede que o sujeito descarte um(a) parceiro(a) sexual para experimentar outro(a) – um novo impulso, uma nova ficante–despertada por uma fascinante embalagem. As embalagens aguçam as fantasias. Acesse o documento em PDF clicando aqui.

*Dra. Maria Alves de Toledo Bruns é líder do Grupo de pesquisa Sexualidadevida e co-autora do livro “Educação Sexual pede Espaço: Novos horizontes para a práxis pedagógica”, editora Omega.

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