O bullying familiar: a vivência paradoxal do prazer e da dor

Por Maria Alves de Toledo Bruns*

Com o passar dos anos de convivência, a dinâmica intrafamiliar de alguns casais, independente da orientação afetivo sexual, se manifesta na desqualificação por cada um dos pares dos atributos do/a eleito/a apreciados antes de assumirem a relação estável.

Apelidos pejorativos referentes tanto aos aspectos físicos quantos aos psicológicos, os tais “pontos fracos”, evidenciam o bullying familiar como fonte propiciadora de insegurança, baixa autoestima, estresse, intolerância e agressão física. Nesse complô, não raro, o casal não perde a oportunidade de humilhar a/o companheira/o em reuniões de amigos e familiares.

Esse estilo de relação desvela a todos o quanto a relação está doente. E um detalhe: a vítima, mesmo usando a estratégia de não “dar o troco”, sair de mansinho, disfarçar; enfim, fazer de conta que não ouviu a ofensa para manter a aparência de um casal harmônico, não consegue se “blindar” da dor de ser desqualificada/o. Essa estratégia só permite alimentar a postura perversa do/a agressor/a.

Nessa trama, os nós perversos asseguram a frágil estabilidade da vivência paradoxal do prazer e da dor de uma relação doentia aprisionada a atos de violência física, psíquica, e emocional. Como sair desses perversos nós? Uma pista: refletir sobre as seguintes questões: Por quê? Para quê? e Para quem manter esse tipo de relação? Buscar a ajuda de profissional competente pode ser uma estratégia promissora, mas só se for realizada em conjunto: agressor/a e a vítima. A ajuda individual alivia a dor e o sofrimento, mas os nós precisam ser desfeitos a dois.

*Dra. Maria Alves de Toledo Bruns é líder do Grupo de pesquisa Sexualidade & Vida e co-autora do livro “Educação Sexual pede Espaço: Novos horizontes para a práxis pedagógica”, editora Omega.

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