Eu quero te encontrar…

Por Maria Alves de Toledo Bruns*

Na luta contra as relações efêmeras, homens e mulheres dizem: “Estou cansada (o) de ficar sozinha (o)” e indagam: “Por que não encontro alguém que queira sair do ciclo das noites avulsas de sexo?”

Observem estes desabafos:

“…Estou sozinha há mais de seis meses. Cansei de ficar. Nossa! Não quero nem lembrar. Tudo é tão igual e repetitivo que caí fora. Cansei do homem tipo “topo todas”. Quero me envolver”. (Universitária de 25 anos)

“Estou cansado de procurar uma mulher… uma MULHER!… Uma que esteja a fim de curtir não só sexo. Busco encontrar uma mulher inteligente, capaz de manter um diálogo que ultrapasse as mesmices diárias. Que curta um bom filme, uma boa peça de teatro. Que transite pelas coisas simples às sofisticadas. Cansei da mulher tipo “fadinha” como das “guerreiras”. As “siliconadas” eu já descartei-as há tempo. Sei lá, ando cansado de viver sozinho, gosto de dividir.” (pós-graduando de 35 anos).

Interessante notar que ambos estão clamando por vínculos. Os relacionamentos relâmpagos não oferecem ao homem e a mulher condições para que aflorem laços de confiança, de aceitação e de apreço – ingredientes imprescindíveis para aqueles dispostos a criarem vínculos amorosos. Isso sem falar da intimidade erótica, que só floresce ao toque da criatividade. Tal como um santuário – o corpo erótico – guarda segredos e detalhes e para ser descoberto demanda tempo, disposição e cuidado com suas sutilezas.

Os relacionamentos descartáveis, apenas a satisfação instantânea é garantida. A ênfase na quantidade do desempenho sexual possibilita o sucesso na divulgação entre os amigos (as), todavia não cede espaço e nem tempo para a criação de liames imprescindíveis ao mistério da intimidade erótica. Tal como o olhar da (o) turista numa visita a um templo sagrado: registra tudo pelas fotos digitais, cuja rapidez dificulta deter os detalhes reveladores de seus segredos e beleza. Ao voltar da viagem, a (o) tal turista se contenta em apenas mostrá-las aos amigos (as). Neste momento, não é raro que nem se recorde do local e nem tampouco do nome do templo visitado. Para construir um vínculo amoroso, é preciso disposição para investir na relação: postura que demanda tempo, criatividade/erotismo e especialmente coragem para correr o risco de ser feliz!

*Dra. Maria Alves de Toledo Bruns é líder do Grupo de pesquisa Sexualidade & Vida e co-autora do livro “Educação Sexual pede Espaço: Novos horizontes para a práxis pedagógica”, editora Omega.

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