“Caindo na Vida”: Vivência e Corporeidade Travesti na Perspectiva Fenomenológica

por Edmar Henrique Davi, Maria Alves Toledo Bruns

Este texto tem o objetivo de compreender os significados e os sentidos que três travestis atribuem ao processo de transformação corporal. Discutir o status que o corpo assume em nossa sociedade contemporânea parece ser uma questão fundamental para o campo da psicologia. O culto ao corpo e a valorização das intervenções estéticas mostram-se como características de nosso ethos e se fundamentam na busca diária pela saúde e pela juventude, dentre outros aspectos (Dantas, 2011).

Para refletir sobre a corporeidade atual, é preciso tomar o corpo como um espaço simbólico que assumiu a primazia na construção de nossa subjetividade (Ortega, 2008). Isto implica o reconhecimento de que nossa corporeidade vai além dos aspectos biológicos e orgânicos e que está mergulhada em um contexto histórico-cultural o qual dá sentido aos diversos ajustamentos técnicos, aos aparatos medicamentosos e aos procedimentos cirúrgicos utilizados pelas pessoas (Nóbrega, 2010).

A perspectiva tecnológica “objetifica” nosso corpo transformando-o em rascunho a ser modificado e/ou melhorado a partir das intervenções da ciência incorporadas nas ações médicas (Ortega, 2008). Mas será o corpo uma coisa entre as coisas, uma máquina de músculos e nervos ligados por relações bioquímicas e condicionamentos exteriores?

Veja o original publicado em http://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/30016/29502

<Página anterior