Busca-se afeto no sexo?

Por Maria Alves de Toledo Bruns*

Homens e mulheres protagonistas das inúmeras mudanças que vêm ocorrendo no mundo moderno aplaudem as novidades dos meios de comunicação, as tecnologias aplicada à medicina e a quebra de tabus e de preconceitos. Entretanto, em relação aos aspectos emocionais, afetivos e sexuais, homens e mulheres das mais variadas classes sociais e orientações sexuais confessam que se sentem insatisfeitos e vazios e não raro depressivos.

O sucesso de vendas dos antidepressivos, a grande adesão às técnicas de meditação, entre outras modalidades terapêuticas, bem como as queixas expressas nos momentos de terapias indicam que somente “as maravilhas do mundo moderno” não vêm possibilitando a homens e mulheres um bem estar emocional, afetivo e sexual satisfatório. Através de pesquisas realizadas e desabafos de amigos é possível identificar que homens e mulheres se sentem enfastiados pelas relações líquidas, os tais relacionamentos de bolso. Clamam por uma relação diferente, um encontro autêntico. Algumas dessas pessoas confessaram: “Estou querendo namorar”; outros disseram: “Estou sentindo falta de afeto no sexo”; outros, ainda, declararam: “Estou sentindo falta de uma paixão”.

Esses relatos e os resultados de pesquisas apontam que homens e mulheres heteroeróticos; homoeróticos, transeróticos etc, protagonistas das conquistas de autonomia de liberdade de escolhas de parcerias descartáveis, não estão se sentindo realizados em suas práticas sexuais. Estariam buscando afeto no sexo, por quê?

*Dra. Maria Alves de Toledo Bruns é líder do Grupo de pesquisa Sexualidade & Vida e co-autora do livro “Educação Sexual pede Espaço: Novos horizontes para a práxis pedagógica”, editora Omega.

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