Avaliação psicológica em transexualidade no Hospital de Base de São José do Rio Preto

por Maria Jaqueline Coelho Pinto e Maria Alves de Toledo Bruns*

Avanços na área da saúde têm criado discussões sobre a sexualidade humana. Tema esse bastante controverso, envolto em preconceito e, muitas vezes, desconhecido, como fenômeno da transexualidade.

A transexualidade tornou-se objeto de estudo e do olhar de cientistas, religiosos, psiquiatras, antropólogos, educadores, psicólogos, entre outros, passando a ser compreendida a partir das mais diversas manifestações. A sociedade contemporânea passa por transformações significativas e múltiplos arranjos surgem fora da natureza binária (masculina e feminina) dos corpos. Os movimentos das chamadas “minorias sexuais” têm merecido especial atenção e é neste quadro de diversidade que a transexualidade precisa ser compreendida.

Essa problemática é antiga, mas o que a torna atual é a puralidade de significados que marcam a experiência e a possibilidade legal e médica de “mudar de sexo”, quando realizada em hospitais universitários ou públicos adequados à pesquisa.

Transexualidade
A transexualidade é compreendida pelos conflitos entre corpo e identidade de gênero; caracteriza-se por um forte desejo de correção cirúrgica que, quando não atingido, pode ser fonte de atitudes psicopatológicas reacionais, tais como sintomas depressivos, tendência à automutilação e ao suicídio (CFM, 1997 e 2002; Saadeh, 2004).

Citado pela primeira vez na literatura científica, no travalho de Hirschfeld em 1923, o termo “transexual” foi, na época, utilizado sem distinção com o travestismo e a homossexualidade. Apenas a partir de 1960 se utilizou o termo com seu significado atual, designando indivíduos cujo desejo é viver definitivamente o papel do sexo oposto e realizar uma cirurgia de redesignação sexual. Em 1949, Caudwell fez uso do termo pela primeira vez em um artigo intitulado Psychopathia Transsexualis, Transsexual Phenomenon, por Harry Benjamin, médico pioneiro na reversão sexual. Desde então, houve uma confluência de esforços da MEdicina e da Psicologia para oferecer melhor qualidade de vida às pessoas transexuais, tornando esta uma condição a ser reconhecida e tratada (castel, 2001; Abdo, 2000; Selvaggi et al, 2005).

Fisk, em 1973, propôs o termo gender dysphoria syndrome, que foi adotado para designar a presença do problema de gênero em ambos os sexos, até que gradualmente foi sendo admitido nas nosografias psiquiátricas, sendo abandonado mais tarde em razão da pouca especificidade (Cohen-Kettenis e Gooren, 1999).

A organização Mundial da Saúde, por meio do Código Internacional de Doenças, 10ª revisão (CID-10), ainda inclui o termo transexualismo e o define sob o cófigo F 64.0 como (OMS, 2000):

Um desejo de vivier e de ser aceito como pessoa do sexo oposto, usualmente acompanhando por uma sensação de desconforto ou impropriedade de seu próprio sexo anatômico e um desejo de se submeter a um tratamento hormonal e cirúrgico para tornar seu corpo tão congruente quanto possível com o sexo desejado.

* Este capítulo faz parte do livro ‘Identidade Sexual e transexualidade’, organizado por Tereza Rodrigues Vieira e Luiz Airton Saavedra da Paiva, e foi escrito por Maria Jaqueline Coelho Pinto e Maria Alves de Toledo Bruns.

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