Afeto, o melhor presente

Por Maria Alves de Toledo Bruns*

Na correria do dia-a-dia esquecemo-nos de apreciar o cotidiano. Não vemos nossos filhos crescerem, ou emagrecerem, ou engordarem, ou se viciarem; enfim, não temos tempo para os pequenos significativos detalhes do cotidiano. Não temos tempo para apreciarmos os encantos e as diabruras da infância e da adolescência de nossos filhos. Estamos sempre ocupados com os detalhes profissionais, em nome dos quais justificamos a nós mesmos o distanciamento de nossos entes queridos. Não que os projetos profissionais não devam ser levados a sério. Apenas, precisamos refletir sobre o lugar dos entes queridos em nossa vida.

Alguns pais são tão ocupados que a demonstração de afeto se resume a e-mails e/ou se materializa num presente cujo valor simboliza a justificativa das longas horas de ausência. Essa dinâmica familiar dificulta o diálogo autêntico e os laços de admiração vão sendo enfraquecidos.

Num workshop com dez rapazes e dez moças (entre vinte e vinte e cinco anos), convidei-os a relatar sobre as experiências significativas que tinham vivido com seus pais. Dos vinte participantes, nove destacaram a presença do pai em comemorações festivas; a compreensão diante de um fato delicado; o abraço na hora de dormir. Nenhum se referiu a presentes materiais. Os demais relataram que sentiam “um vazio enorme no coração” pela ausência de afeto tanto paterno quanto materno. Atos afetuosos dos pais contribuem para a formação positiva de nossa auto-imagem e facilita a convivência familiar e social, tão necessária em nossos dias. Carinho, zelo, respeito, admiração são presentes sem prazo de validade; sendo assim, não saem de moda e podem ser distribuídos a todo o momento!

*Dra. Maria Alves de Toledo Bruns é líder do Grupo de pesquisa Sexualidade & Vida e co-autora do livro “Educação Sexual pede Espaço: Novos horizontes para a práxis pedagógica”, editora Omega.

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