A mídia e a adultização/erotização da infância e adolescência*

por Maria Alves Toledo Bruns
Este artigo faz parte do livro ‘Série Diálogos – perspectivas, práticas e reflexões educacionais’ organizado por Andreza Marques de Castro Leão e Luci Regina Muzetti.

Paradoxo – perplexidade para alguns; desolação para outros. A realidade é que o período da infância está sendo ditado pelos modismos veiculados pela mídia que, no decorrer das últimas décadas, vêm sutilmente diluindo a fronteira entre a infância e a adolescência, (des)configurando modos de ser criança e adolescente.

Nesse processo, os discursos, símbolos, significados e sentidos dessas faixas etárias são ressignificados por práticas comuns ao mundo-vida do adulto. E é este o foco proposto para reflexão: adultização/erotização da infância e adolescência.

Para compreendermos esse processo da adultização da infância e suas consequências, faz-se oportuno situá-lo nos horizontes da família, da escola, do Estado, da religião, da ciência, da mídia – que, enquanto matrizes de sentidos, vêm sendo atingidos em seus “sólidos” alicerces, em especial pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e das tecnologias digitais.

Essas novas e fascinantes linguagens vêm, desde meados do século XX, destruindo os ethos dessas matrizes de sentidos seja pela exacerbação da imagem seja pelo fascínio da democratização da informação em decorrência da velocidade de veiculação de notícias de todas as partes de mundo, seja ainda para satisfazer às regras do mercado de consumo.

Desse modo, temos a socialização de novas tecnologias provocando mudanças de valores morais, crenças religiosas, sistemas econômicos, práticas afetivo-sexuais, padrões de beleza, formas de simbolização e representação do mundo-vida de sujeitos em seus próprios contextos situacionais, sociais e históricos.

[leia o original em PDF clicando aqui.]

* Esse tema foi apresentado na Oficina ‘A mídia e a adultização da infância e da adolescência’ da I Conferência Online de Educação Sexual (ICOES) em maio de 2012, organizada pelas Universidades de Lisboa/Portugal; Universidade do Estado de São Paulo/Brasil e Universidade do Estado de Santa Catarina/Brasil.

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